ILPF: produtividade, resiliência e renda no campo

Estudos indicam ganhos de produtividade, resiliência climática e recuperação de pastagens com sistemas integrados.

Por Marcia Tojal em 11 de fevereiro, 2026

Atualizado: 05/02/2026 - 10:43

Vista aérea de uma agricultura integrada no sistema ILPF, com pasto, árvores e gados no campo.
Foto: Minerva Foods

Em um cenário marcado por volatilidade de preços, eventos climáticos extremos e aumento dos custos de produção, o produtor rural brasileiro tem buscado sistemas capazes de oferecer mais segurança econômica e previsibilidade no campo. Nesse contexto, a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) ganha relevância como uma estratégia produtiva que reorganiza o uso da terra, combina atividades complementares e amplia as possibilidades de geração de renda ao longo do ano. Ao integrar diferentes sistemas produtivos em uma mesma área, é possível garantir ganhos de produtividade, maior eficiência no uso dos recursos naturais e redução de riscos produtivos e financeiros, criando bases mais sólidas para a autonomia econômica do produtor rural, conforme apontam estudos técnicos.

ILPF: impacto positivo no meio ambiente e na economia

Em estudo conduzido por pesquisadores de diferentes unidades da Embrapa, foram avaliados seis estabelecimentos rurais utilizados como Unidades de Referência Tecnológica (URTs), distribuídos pelas cinco regiões do Brasil e representativos de diferentes modalidades de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). A análise contemplou desde empresas rurais de grande porte até propriedades familiares, além de variados arranjos de integração, de sistemas mais complexos a modelos mais simples de integração lavoura-pecuária voltados à recuperação de pastagens. Para a avaliação, foi empregado o método Ambitec-Agro, baseado em módulos integrados de indicadores ambientais aplicáveis à agricultura, à produção animal e à agroindústria.

Os resultados apontaram ganhos relevantes de produtividade e maior eficiência no uso dos recursos naturais, geralmente acompanhados por aumento no uso de insumos e de energia, refletindo o avanço do desempenho tecnológico. Ainda assim, as avaliações indicaram efeitos positivos nas dimensões econômica e social da sustentabilidade, evidenciando a contribuição da ILPF para o desempenho global dos estabelecimentos analisados.

Entre os principais resultados, destacou-se a melhoria da qualidade do solo, observada de forma consistente em todos os indicadores e em todos os sistemas avaliados. O aumento da biomassa nas áreas de pastejo e a maior cobertura do solo contribuíram para a redução da compactação causada pelo pisoteio animal e pelo tráfego de máquinas. Esse conjunto de fatores também favoreceu, ainda que de forma marginal, a qualidade da água, com redução da turbidez associada ao controle da erosão. Além disso, as condições locais e as boas práticas de manejo adotadas explicam a ausência de fontes relevantes de poluição ou de evidências de descarte inadequado de resíduos.

Já sob a ótica econômica, a ILPF amplia a produção de grãos, fibras, carne, leite e produtos florestais madeireiros e não madeireiros, o que se reflete na geração de empregos diretos e indiretos e no aumento da renda dos produtores rurais, especialmente pela diversificação das atividades e pela diluição de riscos econômicos.

De acordo com a WRI Brasil, a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) também se destaca como uma ferramenta eficaz para aumentar a resiliência dos produtores rurais diante de eventos climáticos extremos. A publicação ressalta o Papel do Plano ABC e do Planaveg na Adaptação da Agricultura e da Pecuária às Mudanças Climáticas, que avaliou os impactos de diferentes tecnologias agrícolas previstas no Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas, incluindo os sistemas integrados. Os resultados indicam que a ILPF contribui para a melhoria do microclima local e da qualidade do solo, ajuda a reduzir a vulnerabilidade aos eventos climáticos extremos e à incidência de pragas e está associada a ganhos de produtividade no campo.

ILPF: uma alavanca para o fortalecimento da economia rural

Sistema ILPF (Integração Lavoura, Pecuária e Floresta) mostrando integração de pastagem com árvores ao fundo, fortalecendo a economia rural e promovendo sustentabilidade.
Foto: Minerva Foods

A pecuária bovina ocupa um papel central na economia brasileira, e ampliar sua eficiência sem intensificar a pressão sobre os recursos naturais (Efeito Poupa-Terra) é um dos principais desafios do setor. Nesse contexto, a recuperação de pastagens degradadas surge como uma estratégia decisiva para expandir a produção de forma sustentável, especialmente quando associada a sistemas integrados como a ILPF, que permitem aumentar a produtividade sem a necessidade de abrir novas áreas, segundo a Embrapa.

A recuperação de pastagens degradadas é um dos pilares para uma retomada econômica alinhada à agenda verde. Como explica o boletim do Observatório de Economia da FGV Agro, o Plano ABC+, iniciativa do governo brasileiro que tem a finalidade de reafirmar e atualizar os compromissos do País em reduzir as emissões de carbono na agricultura e pecuária para o período de 2020 a 2030, tem como objetivo recuperar 30 milhões de hectares de pastagens degradadas. “Para que essa meta fosse implementada no período atual, seriam necessários, aproximadamente, R$ 42,51 bilhões (U$ 8,58 bilhões), sendo esse investimento realizado em 23 Estados brasileiros (incluindo o Distrito Federal)”, informa o estudo, destacando, no entanto, que esses valores variam muito de acordo com diversos aspectos.

A recuperação de pastagens e a expansão da ILPF caminham de forma complementar. Embora a pecuária bovina já seja altamente produtiva em diversas regiões do país, a predominância de sistemas extensivos e de baixa adoção tecnológica ainda limita o pleno aproveitamento do seu potencial. Ao integrar produção agrícola, criação animal e cultivo de espécies arbóreas, modelos como a ILPF favorecem a intensificação sustentável, mantêm ou elevam a produtividade e contribuem para conciliar crescimento econômico, segurança alimentar e conservação ambiental.

Fontes:


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