Carne na primeira infância está associada a melhores indicadores cognitivos, aponta estudo

Estudo analisou a alimentação de crianças entre 6 e 12 meses e seus desdobramentos cognitivos entre 3 e 5 anos de idade.

Por Marcia Tojal em 29 de janeiro, 2026

Atualizado: 29/01/2026 - 17:37

Criança desfrutando de carne bovina em refeição que promove o desenvolvimento cognitivo infantil
Foto: leyla gursakarya / Shutterstock

A relação entre alimentação e desenvolvimento cognitivo na primeira infância tem sido objeto de crescente atenção da ciência. Evidências recentes indicam que o consumo adequado de nutrientes essenciais nesse período crítico da vida pode influenciar funções como atenção, memória e autorregulação. Nesse contexto, a carne bovina surge como um alimento relevante por concentrar proteínas de alta qualidade e micronutrientes estratégicos para o cérebro em desenvolvimento.

Um estudo exploratório intitulado Early Life Beef Consumption Patterns Are Related to Cognitive Outcomes at 1–5 Years of Age (em tradução livre, “Os padrões de consumo de carne bovina no início da vida estão relacionados aos resultados cognitivos entre 1 e 5 anos de idade”), analisou a alimentação de crianças entre 6 e 12 meses e seus desdobramentos cognitivos entre 3 e 5 anos de idade. A pesquisa avaliou padrões alimentares e desempenho em testes cognitivos padronizados.

Os resultados mostraram que maiores ingestões médias diárias de carne bovina, proteína total, zinco e colina durante o primeiro ano de vida estiveram significativamente associadas a valores mais elevados no teste de Controle Inibitório e Atenção de Flanker, instrumento utilizado para avaliar atenção seletiva e autorregulação em crianças. Embora o estudo seja observacional e não estabeleça relação de causa e efeito, os achados reforçam o papel da nutrição de qualidade nos primeiros anos de vida.

O papel de nutrientes-chave no desenvolvimento cerebral

A explicação biológica para essa associação está bem documentada na literatura científica. Nutrientes como proteína, ferro, zinco e colina desempenham funções centrais no desenvolvimento cerebral. A proteína fornece aminoácidos essenciais para a formação de tecidos e neurotransmissores. O ferro é fundamental para o transporte de oxigênio e para o desenvolvimento neurológico, enquanto o zinco participa de processos como sinaptogênese e plasticidade neuronal. Já a colina é precursora da acetilcolina, neurotransmissor diretamente envolvido em memória e atenção.

Esses nutrientes, juntamente com vitamina D e potássio, figuram entre aqueles considerados de “subconsumo” em bebês de 6 a 11 meses, segundo avaliações nutricionais recentes em países de alta renda. A carne bovina se destaca nesse cenário por reunir vários desses componentes em uma única fonte alimentar, com alta biodisponibilidade.

O que dizem as recomendações internacionais

As evidências científicas dialogam com recomendações internacionais. A Organização Mundial da Saúde orienta que a alimentação complementar, a partir dos seis meses de idade, inclua alimentos de origem animal, como carnes, ovos e peixes, como parte de uma dieta diversificada. O objetivo é assegurar a oferta adequada de micronutrientes essenciais ao crescimento e ao desenvolvimento saudável, especialmente em fases de rápida maturação cerebral.

Além dos aspectos nutricionais, o debate também envolve dimensões culturais e sociais. Em muitas regiões do mundo, a introdução de alimentos de origem animal na primeira infância está associada a práticas tradicionais e ao compartilhamento de refeições familiares, reforçando hábitos alimentares que podem acompanhar a criança ao longo da vida.

Os autores do estudo ressaltam que mais pesquisas, com amostras maiores e desenhos longitudinais, são necessárias para aprofundar a compreensão sobre o impacto específico do consumo de carne bovina no desenvolvimento cognitivo. Ainda assim, os dados disponíveis reforçam uma mensagem central: garantir o acesso a alimentos densos em nutrientes na primeira infância é uma estratégia fundamental para promover o desenvolvimento integral das crianças.

No contexto de sistemas alimentares cada vez mais desafiados a conciliar nutrição, sustentabilidade e segurança alimentar, a carne bovina permanece como uma fonte relevante de nutrientes essenciais, especialmente em fases críticas do ciclo de vida, como os primeiros anos de infância.


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