Carne é uma das poucas fontes naturais de B12

Cortes premium de carne bovina ajudam a suprir a demanda por vitamina B12 em gestantes e lactantes.

Por Marcia Tojal em 27 de janeiro, 2026

Atualizado: 28/01/2026 - 16:32

Bife de carne suculento e grelhado, fontes de vitamina B12 e comida saudável.
Foto: Minerva Foods

Sabor, maciez, suculência e marmoreio costumam ser os atributos mais lembrados quando se fala em carne bovina. Mas o valor desse alimento vai muito além da experiência sensorial. Do ponto de vista nutricional, a carne vermelha ocupa um lugar estratégico na alimentação humana entre as poucas fontes naturais confiáveis, eficientes e altamente biodisponíveis de vitamina B12, um micronutriente essencial que o organismo não é capaz de produzir, assim como ocorre na vitamina B2.

Também chamada de cobalamina, a B12 participa da formação dos glóbulos vermelhos, da síntese do DNA e do funcionamento adequado do sistema nervoso. Sua ausência ou ingestão inadequada está associada a quadros de anemia, fadiga, alterações neurológicas e prejuízos cognitivos. Por isso, ela precisa ser obtida exclusivamente por meio da alimentação, especialmente por grávidas e lactantes, cuja demanda diária do nutriente é maior em comparação a adultos em geral.

A importância da vitamina B12 para gestantes e lactantes

Embora fundamental em todas as fases da vida, a vitamina B12 assume um papel ainda mais crítico durante a gestação e a lactação. Nesses períodos, a demanda nutricional aumenta para sustentar o desenvolvimento fetal e neonatal, especialmente no que diz respeito ao sistema nervoso e à produção de células sanguíneas. Nestes casos, a B12 é essencial para:

  • Síntese do DNA, indispensável ao rápido crescimento celular durante a gravidez;
  • Formação de glóbulos vermelhos, ajudando a prevenir anemias maternas;
  • Desenvolvimento neurológico do bebê, tanto intra uterino, quanto nos primeiros meses de vida.

A deficiência desse nutriente em gestantes está associada a riscos como anemia materna, alterações neurológicas e comprometimento do desenvolvimento cognitivo infantil, segundo revisões publicadas no PubMed.

De acordo com o National Institutes of Health (NIH), a ingestão diária recomendada de vitamina B12 é de 2,6 mcg para gestantes e 2,8 mcg para lactantes, valores superiores aos recomendados para pessoas em geral (de 1,2 mcg a 2,4 mcg, entre 4 e mais de 50 anos de idade), como mostra a tabela abaixo elaborada pela Adeca Agronegócios – grupo de consultoria da ESALQ/USP filiado ao Cepea, com base nas recomendações do USDA (em tradução livre, Departamento de Agricultura dos Estados Unidos):

Carne bovina: uma fonte natural e altamente biodisponível de vitamina B12

Blocos de madeira exibindo 'B12', fonte de vitamina
Foto: Andrey_Popov / Shutterstock

Segundo dados do Food and Nutrition Board nos EUA, 100 gramas de carne bovina fornecem, em média, 2,5 mcg a 2,6 mcg de vitamina B12, quantidade que pode atender à recomendação diária em alguns casos — especialmente para adultos — embora gestantes e lactantes tenham demandas ligeiramente maiores.

Além da quantidade absoluta, também é de suma importância a biodisponibilidade do nutriente, ou seja, a fração dele que o organismo consegue absorver e utilizar. Para isso, é necessário um processo químico em duas etapas fundamentais dentro do sistema digestivo. 

A realização da primeira etapa cabe ao ácido gástrico e às enzimas digestivas, que atuam como solventes químicos, quebrando a estrutura dos alimentos e libertando a vitamina para que ela possa seguir seu fluxo dentro do organismo.

Uma vez “liberada” das proteínas, a B12 ainda enfrenta um obstáculo: ela não consegue atravessar as paredes do intestino sozinha. Para resolver isso, o estômago fabrica uma proteína especial chamada fator intrínseco, que permite que a absorção ocorra de forma eficiente no intestino, conforme descrito pelo National Institutes of Health. Ao juntar-se ao fator intrínseco, a vitamina B12 forma um combo que é facilmente reconhecido e aceito pelas células do intestino delgado. Sem essa conexão específica, mesmo que uma pessoa consuma grandes quantidades da vitamina, o nutriente não seria aproveitado.

Evidências compiladas pelo NIH mostram que a absorção diminui significativamente quando a capacidade do fator intrínseco é excedida, o que ocorre por volta de 1–2 mcg de B12 por refeição.

  • A biodisponibilidade varia conforme a fonte: produtos lácteos apresentam uma absorção cerca de três vezes maior do que carne, peixe e aves;
  • A vitamina B12 em suplementos possui biodisponibilidade aproximadamente 50% superior àquela presente nos alimentos.

Mesmo assim, fontes animais seguem sendo as únicas fontes naturais confiáveis do nutriente, já que os alimentos vegetais não contêm B12 naturalmente. Apenas produtos fortificados, como alguns cereais matinais e leveduras nutricionais, oferecem o micronutriente em forma biodisponível.

B12 na carne bovina x vegetais

Segundo a Harvard T.H. Chan School of Public Health, alimentos vegetais não fortificados não fornecem quantidades biologicamente relevantes do nutriente. Por isso, dietas baseadas em vegetais exigem fortificação ou suplementação, especialmente em fases de maior demanda nutricional, como gravidez e lactação. Ou seja, não seria possível atingir a ingestão diária recomendada de vitamina B12 apenas com vegetais não fortificados.

Entre os cortes bovinos, o grande destaque é o fígado. De acordo com o NIH, enquanto um bife comum fornece cerca de 2,4 mcg a 3,0 mcg de vitamina B12, 100 g de fígado bovino oferecem aproximadamente 70,7 mcg, o que representa mais de 2.900% do valor diário recomendado a um adulto.

É esse conjunto de fatores, entre quantidade e biodisponibilidade dos nutrientes, que reforça a importância dos alimentos de origem animal na nutrição humana, especialmente para grupos com maiores demandas nutricionais, como gestantes e lactantes, mas especialmente, combinando alimentos de diferentes tipos para uma nutrição realmente completa e equilibrada.

Fontes de referência:


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