Existe churrasco na China?

Presente na alimentação cotidiana e em diferentes tradições regionais, o “shaokao” movimenta um mercado bilionário e ganhou até uma escola especializada.

Por Redação em 21 de outubro, 2026

Atualizado: 21/10/2026 - 10:07

Churrasco na China com espetinhos grelhados em uma chapa industrial, com legumes e ervas na composição dos pratos.
Foto: Moment Capsule / Shutterstock

Para muitos brasileiros, churrasco remete a grandes cortes de carne, sal grosso e uma reunião de fim de semana. Mas na China a cena pode ser outra: uma mesa com espetos de carnes, frutos do mar, vegetais e outros ingredientes escolhidos para dividir com os amigos. Em várias regiões, sair para comer churrasco é uma opção de jantar como qualquer outra, sem que seja preciso esperar por uma ocasião especial.

Conhecido como shaokao, o churrasco chinês aparece em estabelecimentos de rua e restaurantes, mas não segue uma receita única. Ingredientes, temperos e formas de servir variam de acordo com o lugar. Essa diversidade ajuda a explicar como uma técnica antiga continua presente na vida cotidiana e como se transformou em uma atividade econômica de grande escala.

Uma história que vai muito além dos restaurantes

Preparar alimentos no calor do fogo é uma prática antiga no território chinês. Um exemplo é o grelhador de cerâmica encontrado em um sítio da cultura Majiabang, em Zhejiang, com cerca de 7 mil anos e hoje no acervo do Museu de Xangai. Esse vestígio mostra a antiguidade das técnicas de cocção, embora não signifique que o churrasco servido hoje já existisse com os mesmos ingredientes ou sabores.

A história dos espetos também tem registros próprios. Esse estudo reúne textos antigos, representações de cenas de cozinha e banquetes, utensílios e vestígios de carne preparada em espetos. Segundo a autora, zhi (炙) era o termo usado para o método de assar. As evidências mostram que o preparo de pequenos pedaços de carne sobre o fogo já fazia parte da tradição culinária chinesa antes das influências que ajudariam a moldar alguns estilos modernos.

Por que o churrasco faz parte da rotina chinesa?

Churrasco na China: grupo de pessoas assando e comendo espetinhos à noite em uma mesa ao ar livre, com bebidas e decoração de luzes
Foto: Wasana Kunpol / Shutterstock

No país, o churrasco é uma escolha acessível para jantar e uma maneira informal de encontrar amigos e familiares. Os espetos favorecem essa experiência compartilhada, já que é possível pedir pequenas porções de diferentes tipos e experimentar vários sabores na mesma refeição. Dependendo do estabelecimento e da região, a seleção pode incluir carne bovina, cordeiro, frango, carne suína, frutos do mar, miúdos, vegetais, cogumelos e derivados de soja.

O modo de preparo também muda a experiência: muitos ingredientes são cortados em pedaços pequenos e assados rapidamente. Especiarias como cominho e pimenta podem marcar o sabor, mas isso não define todo o churrasco chinês, já que há diferentes maneiras de temperar, grelhar e servir os alimentos.

Muitos estilos em um mesmo país

A variedade regional aparece tanto no prato quanto na forma de comer. Os espetos de cordeiro e o cominho são a marca registrada de Xinjiang, enquanto outras regiões usam ingredientes e combinações de sabores próprios.

Em Zibo, na província de Shandong, até o cliente participa da etapa final do preparo: os espetos chegam parcialmente assados e são terminados em pequenos braseiros à mesa, depois combinados com uma panqueca fina, cebolinha e acompanhamentos. Essa experiência ganhou projeção nas redes sociais e atraiu multidões de visitantes à cidade em 2023.

Esses exemplos mostram por que falar em “o churrasco chinês” pode esconder diferenças importantes: cada região adapta o preparo aos ingredientes disponíveis, às preferências locais e aos seus hábitos de convivência.

Um mercado grande e disputado

A presença do churrasco na rotina dos consumidores se reflete nos números do setor. Segundo o Relatório de Desenvolvimento da Indústria de Churrasco 2026, divulgado pela Xinhua, o mercado chinês movimentou 268 bilhões de yuans em 2025 (cerca de R$ 209,31 bilhões), crescimento de 4,3% em relação ao ano anterior. Desse total, 158 bilhões vieram do segmento de espetos e 110 bilhões, do segmento de carnes grelhadas. A estimativa é de que o mercado ultrapasse 280 bilhões de yuans em 2026.

O mesmo relatório registrou 409 mil estabelecimentos de churrasco em fevereiro de 2026, depois de um pico de aproximadamente 517 mil em setembro de 2024. A redução no número de lojas mostra que esse também é um mercado competitivo, em que a popularidade da refeição não garante que todos os negócios consigam permanecer em atividade.

O churrasco virou assunto de escola

Na cidade de Yueyang, na província de Hunan, o churrasco ganhou espaço também na formação profissional. A Yueyang Barbecue College abriu inscrições em março de 2026 para um programa que combina habilidades práticas e conhecimentos de gestão, criado em parceria com a Yueyang Open University e a associação local do setor.

A grade vai além de aprender a assar carne: os alunos estudam seleção de ingredientes, controle do carvão e desenvolvimento de sabores, além de operação de restaurantes, administração de custos e empreendedorismo. Trata-se de uma formação pensada tanto para quem cozinha, quanto para quem pretende trabalhar em outras etapas do negócio. A iniciativa demonstra que, para os chineses, churrasco é uma arte para ser levada a sério. 

Dúvidas mais comuns

Shaokao é o nome do churrasco chinês, caracterizado por espetos com carnes, frutos do mar, vegetais e outros ingredientes para compartilhar. Diferentemente do churrasco brasileiro, que geralmente envolve grandes cortes de carne e sal grosso em ocasiões especiais, o shaokao é uma opção de jantar comum e acessível na China, servido em estabelecimentos de rua e restaurantes sem uma receita única, variando ingredientes e temperos conforme a região.

A prática de preparar alimentos no calor do fogo é antiga no território chinês. Um exemplo é um grelhador de cerâmica encontrado em um sítio da cultura Majiabang, em Zhejiang, com cerca de 7 mil anos, atualmente no acervo do Museu de Xangai. O termo zhi (炙) era usado para designar o método de assar, mostrando que o preparo de pequenos pedaços de carne sobre o fogo já fazia parte da tradição culinária chinesa há séculos.

O churrasco chinês é caracterizado por espetos que favorecem uma experiência compartilhada, permitindo pedir pequenas porções de diferentes tipos e experimentar vários sabores na mesma refeição. Os ingredientes podem incluir carne bovina, cordeiro, frango, carne suína, frutos do mar, miúdos, vegetais, cogumelos e derivados de soja. Muitos ingredientes são cortados em pedaços pequenos e assados rapidamente, com especiarias como cominho e pimenta marcando o sabor, embora existam diferentes maneiras de temperar, grelhar e servir os alimentos.

Cada região da China adapta o preparo do churrasco aos ingredientes disponíveis, preferências locais e hábitos de convivência. Os espetos de cordeiro com cominho são a marca registrada de Xinjiang, enquanto em Zibo, na província de Shandong, os clientes participam da etapa final do preparo: os espetos chegam parcialmente assados e são terminados em pequenos braseiros à mesa, depois combinados com panqueca fina, cebolinha e acompanhamentos. Essa diversidade regional explica como a técnica antiga continua presente na vida cotidiana chinesa.

Segundo o Relatório de Desenvolvimento da Indústria de Churrasco 2026, o mercado chinês movimentou 268 bilhões de yuans em 2025 (cerca de R$ 209,31 bilhões), com crescimento de 4,3% em relação ao ano anterior. Desse total, 158 bilhões vieram do segmento de espetos e 110 bilhões do segmento de carnes grelhadas. A estimativa é de que o mercado ultrapasse 280 bilhões de yuans em 2026, refletindo a importância econômica do setor.

Em fevereiro de 2026, havia 409 mil estabelecimentos de churrasco na China, após um pico de aproximadamente 517 mil em setembro de 2024. A redução no número de lojas mostra que esse é um mercado competitivo, em que a popularidade da refeição não garante que todos os negócios consigam permanecer em atividade, indicando uma consolidação do setor.

Sim, a Yueyang Barbecue College, localizada na cidade de Yueyang na província de Hunan, abriu inscrições em março de 2026 para um programa que combina habilidades práticas e conhecimentos de gestão. A grade curricular inclui seleção de ingredientes, controle do carvão, desenvolvimento de sabores, operação de restaurantes, administração de custos e empreendedorismo, formando profissionais tanto para cozinhar quanto para trabalhar em outras etapas do negócio.

O churrasco é uma escolha acessível para jantar e uma maneira informal de encontrar amigos e familiares na China. Os espetos favorecem essa experiência compartilhada, permitindo experimentar vários sabores e tipos de ingredientes na mesma refeição em pequenas porções. Além disso, em várias regiões, sair para comer churrasco é uma opção de jantar comum, sem que seja preciso esperar por uma ocasião especial, tornando-o parte da rotina cotidiana dos consumidores chineses.