A Copa do Mundo de 2026 foi disputada em três países que compartilham uma paixão pela carne, mas a expressam de maneiras bastante diferentes. Estados Unidos, Canadá e México desenvolveram tradições próprias de preparo influenciadas por fatores como imigração, disponibilidade de ingredientes, clima e história regional. Embora no Brasi, seja comum chamar todas essas preparações de “churrasco“, cada país possui técnicas, cortes e costumes particulares. Conhecer essas diferenças é também uma forma de viajar pela cultura dos anfitriões da competição.
Estados Unidos: o protagonismo do brisket

Nos Estados Unidos, especialmente no Texas, o barbecue, como é chamado o churrasco, está associado à cocção lenta em baixa temperatura, com uso de fumaça para desenvolver sabor e maciez. O brisket, corte correspondente ao peito bovino, é um dos principais símbolos desse estilo.
A Food & Wine destaca o brisket como peça central do churrasco texano e explica que ele costuma ser preparado por muitas horas até atingir textura macia. O tempo de preparo do brisket defumado varia entre 9 a 12 horas. O Guia Michelin, ao tratar dos estilos texanos, resume esse preparo como carne — geralmente brisket — defumada “low and slow” por horas.
Além do brisket, o barbecue texano também inclui cortes como beef ribs, short ribs e linguiças artesanais.
México: carne “asada” e grelha quente

No México, uma das tradições mais marcantes é a carne “asada”, muito associada ao norte do país, especialmente ao estado de Sonora. Em vez de longas horas de defumação, o preparo valoriza grelha quente, carne fatiada e servida em tortillas. A chef Pati Jinich, referência em culinária mexicana, descreve a carne asada sonorense como um ritual familiar semanal que vai além da carne grelhada. Entre os cortes usados nesse tipo de preparo estão:
- Arrachera, equivalente próximo à fraldinha;
- Diezmillo, semelhante ao acém;
- Top sirloin, próximo ao miolo de alcatra ou cortes da alcatra;
- Costillas de res, ou costela bovina.
Na receita de carne asada ao estilo Sonora, Pati Jinich utiliza top sirloin e chuck eye roll, temperados com sal e preparados na grelha. O Mexican Food Journal também associa a carne asada à arrachera, ou skirt steak, marinada com limão e alho e cozida rapidamente em fogo alto. Já a Food & Wine cita o diezmillo, corte do dianteiro bovino, como uma opção valorizada no norte do México e frequentemente marinada para carne asada.
Canadá: grelhados de verão e influência multicultural

No Canadá, o churrasco não se concentra em um único estilo nacional tão reconhecido quanto o barbecue texano ou a carne asada mexicana. Ainda assim, grelhar carnes ao ar livre é uma prática comum, especialmente no verão.
A Canada Beef reúne orientações específicas para preparo de carnes na grelha, incluindo steaks, medalhões e cortes bovinos. O guia técnico da Canada Beef também menciona cortes como top sirloin cap, brisket point e opções para preparo em churrasqueira, incluindo referência ao estilo picanha em espetos ou rotisserie.
Outra tradição importante da carne no país é o Montreal Smoked Meat. Embora não seja churrasco de grelha, o prato mostra a força da carne defumada na cultura gastronômica canadense. Segundo The Canadian Encyclopedia, trata-se de um prato tradicional de Montreal, com origem no Leste Europeu, geralmente servido em sanduíche.
Três culturas, uma mesma paixão pela carne

Estados Unidos, México e Canadá mostram que não existe uma única forma de fazer churrasco. Nos EUA, o destaque está na defumação lenta de cortes como o brisket. No México, a carne “asada” valoriza grelha quente, cortes fatiados e servido sem tortillas. No Canadá, os grelhados de verão convivem com tradições de carne defumada, como o Montreal Smoked Meat.
Em comum, os três países transformam a carne em um símbolo de celebração e momentos especiais, unindo o prazer de comer um corte suculento à alegria de compartilhar esse momento com quem se quer bem.
Leia também: O que define um churrasco perfeito?
Três cortes que se destacam no churrasco
A escolha da melhor carne para churrasco depende das características de cada corte, como gordura externa, marmoreio e colágeno. Picanha, bife ancho e costela se destacam por oferecerem diferentes combinações de sabor, suculência e maciez.
- An Essential Guide to Texas Barbecue
- Episode 904: Carne Asada with La Familia
- Fresh Canadian Beef Barbecue Guide
- Grilling Beef on the barbecue – what could be better?
- Mexican Carne Asada
- 6 Budget-Friendly Cuts of Meat You Can Only Find at a Mexican Butcher Shop, According to Chefs
- Smoked Meat
- Sonora Style Carne Asada Tacos
- The MICHELIN Guide to Texas Barbecue: Where to Find the State’s Best Brisket and Beyond
Dúvidas mais comuns
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O barbecue americano, especialmente o texano, é caracterizado pela cocção lenta em baixa temperatura com fumaça, podendo levar de 9 a 12 horas para preparar cortes como o brisket. Já a carne asada mexicana valoriza a grelha quente, com carne fatiada e servida em tortillas, sendo preparada rapidamente em fogo alto. Enquanto o barbecue americano busca maciez através da defumação prolongada, a carne asada mexicana prioriza o sabor da grelha e a rapidez do preparo.
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O brisket é um corte de carne correspondente ao peito bovino que se tornou o símbolo central do barbecue texano. Este corte é escolhido porque, quando preparado lentamente em baixa temperatura com fumaça por 9 a 12 horas, desenvolve uma textura extremamente macia e um sabor profundo. O processo 'low and slow' transforma um corte naturalmente mais duro em uma iguaria suculenta, consolidando o brisket como peça central da tradição barbecue americana.
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Os principais cortes utilizados na carne asada, especialmente no estilo Sonora do norte do México, incluem: arrachera (equivalente à fraldinha), diezmillo (semelhante ao acém), top sirloin (próximo ao miolo de alcatra), e costillas de res (costela bovina). Esses cortes são escolhidos por sua capacidade de absorver marinadas com limão e alho, e por se adaptarem bem ao cozimento rápido em fogo alto na grelha.
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No Canadá, o churrasco não possui um estilo nacional tão definido quanto o barbecue texano ou a carne asada mexicana. A prática comum é grelhar carnes ao ar livre durante o verão, utilizando cortes como steaks, medalhões e top sirloin cap. Além disso, o Montreal Smoked Meat, uma carne defumada com origem no Leste Europeu servida em sanduíche, representa a força da tradição de carne defumada na cultura gastronômica canadense.
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A arte de grelhar carne tem suas raízes nos primeiros dias da humanidade, quando nossos ancestrais começaram a dominar o fogo. Muito antes da chegada dos europeus, povos indígenas como os Charruas e Minuanos já assavam carne em buracos na terra usando técnicas ancestrais. A tradição do churrasco começou no sul do Brasil com os gaúchos que assavam carne em espetos sobre o fogo, consolidando uma prática que se expandiu por toda a América.
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Estados Unidos, Canadá e México desenvolveram tradições próprias de preparo influenciadas por fatores como imigração, disponibilidade de ingredientes, clima e história regional. O Texas, com seu clima e herança cultural, desenvolveu o barbecue defumado; o México, especialmente Sonora, criou a carne asada com grelha quente; e o Canadá, com seus verões curtos, consolidou a prática de grelhados sazonais. Essas diferenças mostram como contextos locais moldam as expressões culinárias de cada povo.
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A marinada é fundamental na carne asada mexicana, geralmente preparada com limão e alho, que conferem sabor e ajudam a amaciar a carne antes do cozimento rápido em fogo alto. Cortes como arrachera e diezmillo são frequentemente marinados para intensificar o sabor e garantir que a carne absorva bem os temperos durante o breve tempo de cocção na grelha, criando um contraste entre o exterior caramelizado e o interior suculento.
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Apesar das diferenças técnicas e de estilo, Estados Unidos, México e Canadá compartilham uma paixão fundamental pela carne e a transformam em um símbolo de celebração e momentos especiais. Nos três países, o churrasco vai além da simples preparação de alimento, representando a alegria de compartilhar um corte suculento com quem se quer bem, unindo prazer gastronômico com conexão social e cultural.