Quando se fala em alimentação e saúde, a palavra “proteína” aparece o tempo todo. O que talvez poucos saibam é que o verdadeiro valor desse macronutriente são os aminoácidos, moléculas que o organismo utiliza para construir e renovar praticamente todas as suas proteínas.
Entre os 20 aminoácidos que compõem as proteínas humanas, nove são classificados como essenciais. Isso porque, eles não podem ser produzidos pelo corpo humano em quantidade suficiente e, portanto, precisam ser obtidos por meio da dieta, conforme estudo publicado na Science Direct.
O papel dos aminoácidos no organismo
As proteínas são “quebradas” durante a digestão e transformadas em aminoácidos livres ou pequenos peptídeos, que então entram na circulação e reúnem-se ao “reservatório” de aminoácidos do corpo. A partir daí, os aminoácidos são usados para construir proteínas corporais, desde músculos até enzimas, anticorpos, transportadores de oxigênio e hormônios, além de servirem como precursores para outras moléculas biologicamente importantes, como serotonina, melatonina, dopamina, noradrenalina, adrenalina, entre outros. De acordo com publicação no Science Direct, esse mecanismo é a razão pela qual a ausência de um único aminoácido essencial pode interromper a síntese de proteínas.
Qualidade da proteína importa

Contudo, nem todas as fontes proteicas oferecem os aminoácidos essenciais nas proporções mais adequadas ao metabolismo humano. Por isso, organismos internacionais passaram a enfatizar o conceito de qualidade proteica, que considera tanto o perfil de aminoácidos essenciais, quanto a biodisponibilidade da proteína, ou seja, a porção do nutriente que o corpo consegue absorver.
A Food and Agriculture Organization (FAO) aponta que proteínas de origem animal apresentam um perfil de aminoácidos essenciais semelhante ao das proteínas do corpo humano, o que favorece sua utilização biológica.
Carne como fonte eficiente de aminoácidos essenciais
De acordo com a FAO, proteínas de origem animal, como a carne bovina, fornecem todos os aminoácidos essenciais, em proporções compatíveis com as necessidades humanas e com boa taxa de absorção pelo corpo, o que explica seu papel na síntese proteica. São eles:
- Histidina: ajuda a criar um produto químico do cérebro (neurotransmissor) chamado histamina. A histamina desempenha um papel importante na função imunológica, digestão, sono e função sexual do corpo.
- Isoleucina: está envolvida no metabolismo muscular e na função imunológica. Também ajuda na produção de hemoglobina e na regulação da energia.
- Leucina: auxilia na produção de proteínas e hormônios de crescimento, inclusive no crescimento e reparação do tecido muscular, ajudando a curar feridas e regular os níveis de açúcar no sangue.
- Lisina: está envolvida na produção de hormônios e energia. Também é importante para o cálcio e a função imunológica.
- Metionina: ajuda no crescimento, metabolismo e desintoxicação dos tecidos do corpo. Também colabora para a absorção de minerais essenciais, incluindo zinco e selênio.
- Fenilalanina: é necessária para a produção de mensageiros químicos do cérebro, incluindo dopamina, epinefrina e norepinefrina. Também é importante para a produção de outros aminoácidos.
- Treonina: desempenha um papel importante no colágeno e na elastina, proteínas que fornecem estrutura à pele e ao tecido conjuntivo. Ajuda na formação de coágulos sanguíneos, no metabolismo da gordura e na função imunológica.
- Triptofano: ajuda a manter o equilíbrio correto de nitrogênio do corpo e a criar um químico cerebral chamado serotonina, que regula o humor, o apetite e o sono.
- Valina: está envolvida no crescimento muscular, na regeneração tecidual e na produção de energia.
A FAO, inclusive, recomenda métodos de avaliação baseados na digestibilidade dos aminoácidos essenciais, como o Digestible Indispensable Amino Acid Score (DIAAS), para comparar fontes de proteína de forma mais precisa.
De acordo com esse artigo publicado na Frontiers in Nutrition, os alimentos de origem animal, como carne, leite e ovos, pontuam acima de 100 na escala DIAAS, enquanto a maioria das proteínas vegetais tem uma pontuação de cerca de 75. O fato de uma proteína ultrapassar 100 no DIAAS significa que ela não só atende, mas supera as necessidades humanas de aminoácidos essenciais após a digestão.Por essa razão, a pontuação pode superar os 100 pontos, que refere-se à necessidade humana.
Vale ressaltar que alimentos de origem vegetal também contribuem para o aporte de aminoácidos, mas podem apresentar limitações em um ou mais aminoácidos essenciais. Por isso, estratégias de combinação alimentar ao longo do dia são frequentemente necessárias para atingir um perfil mais equilibrado. Segundo publicação do MedlinePlus, essas combinações não precisam ocorrer na mesma refeição, desde que o conjunto da dieta seja adequado.
Fontes de referência: