Navegue no conteúdo:
- O que o futebol ensina sobre abastecer o organismo
- Carboidrato não é prioridade absoluta para todos os exercícios
- Onde entra a proteína nessa história?
- O relógio também influencia o resultado
Quando os jogadores entram em campo para uma partida decisiva, a preparação já começou horas antes do apito inicial. A alimentação ocupa posição estratégica, mas a escalação perfeita também deve incluir treinos, descanso, hidratação e até personalização.
Segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, a dieta dos atletas é planejada para atender às demandas específicas de cada modalidade, considerando intensidade, duração do esforço e objetivos de desempenho. E a lógica não vale apenas para quem pratica esporte profissionalmente.
Embora muitas pessoas procurem uma fórmula pronta para o pré-treino, a ciência mostra que as necessidades nutricionais variam de acordo com o tipo de atividade física praticada. O que funciona para um jogador que corre, acelera e muda de direção durante 90 minutos pode não ser a melhor estratégia para quem faz musculação, pedala ou apenas realiza exercícios recreativos.
O que o futebol ensina sobre abastecer o organismo

No futebol, o organismo dos jogadores deve atender a momentos de corrida intensa, desacelerações e recuperação ao longo da partida. Essa característica faz com que os estoques de glicogênio, ou seja, a forma como o corpo armazena carboidratos, tenham papel importante no desempenho.
De acordo com estudo publicado no Pudmed, a ingestão de carboidratos antes e durante a partida melhora a velocidade e o número de sprints (esforços de altíssima intensidade realizados em um curto período de tempo), atenua a diminuição da precisão e velocidade dos chutes, aumenta o tempo até a fadiga e melhora a função cognitiva. Os níveis de glicose diminuem durante os primeiros 15 minutos do segundo tempo sem afetar o desempenho.
Uma revisão publicada no periódico Nutrients destaca que a disponibilidade de carboidratos continua sendo um dos principais fatores associados à capacidade de sustentar exercícios prolongados e intermitentes de alta intensidade. Quando as reservas energéticas diminuem, a tendência é ocorrer queda de rendimentos físico e cognitivo.
Por isso, refeições consumidas antes de partidas e treinamentos costumam incluir alimentos ricos em carboidratos, como arroz, massas, pães, frutas e cereais. Em reportagem da SportBuzz, nutricionistas explicam que o objetivo é garantir disponibilidade energética sem comprometer o conforto digestivo dos atletas.
Carboidrato não é prioridade absoluta para todos os exercícios

Embora seja importante para a prática de esportes de longa duração ou alta intensidade, a quantidade necessária de carboidratos depende do contexto.
Em atividades curtas ou de menor volume, como uma sessão moderada de musculação ou uma caminhada, a necessidade imediata de abastecimento energético tende a ser menor. Nesses casos, a qualidade da alimentação ao longo do dia costuma exercer influência maior do que uma refeição específica imediatamente antes do exercício.
Essa é uma das razões pelas quais recomendações universais devem ser evitadas. A mesma refeição que beneficia um atleta prestes a disputar uma partida pode representar excesso para alguém que realizará uma atividade de intensidade moderada.
Onde entra a proteína nessa história?

Se os carboidratos costumam receber os holofotes quando o assunto é energia, as proteínas desempenham outro papel: fornecer aminoácidos necessários para os processos de manutenção e adaptação muscular desencadeados pelo exercício.
De acordo com estudo publicado no Pudmed, a combinação de carboidratos com proteínas após o exercício também parece oferecer vantagens em relação ao consumo apenas de carboidratos. Pesquisas indicam que essa estratégia pode retardar o aparecimento da fadiga e reduzir a percepção de esforço durante a partida, favorecendo tanto o desempenho quanto a recuperação muscular.
O relógio também influencia o resultado
Além da composição da refeição, o intervalo entre alimentação e atividade física merece atenção. O documento de posicionamento conjunto da Academy of Nutrition and Dietetics, Dietitians of Canada e American College of Sports Medicine ressalta que o planejamento nutricional deve considerar fatores como tolerância individual, horário do exercício e características da modalidade praticada.
Uma refeição completa realizada duas ou três horas antes do treino permite incluir maior variedade de alimentos. Já quando o intervalo é menor, opções mais leves tendem a ser melhor toleradas. Frutas, torradas, pão com geleia, iogurte ou vitamina de frutas são alguns exemplos que fornecem energia sem sobrecarregar a digestão.
Esse aspecto ajuda a explicar por que dois atletas que disputam o mesmo esporte podem adotar estratégias diferentes. O sistema digestivo, a rotina de treinos, os horários das competições e até preferências pessoais influenciam as decisões nutricionais.
A principal lição vinda dos gramados talvez seja justamente essa: o pré-treino não é uma receita pronta. É uma ferramenta que funciona melhor quando adaptada ao contexto, às necessidades e aos objetivos de cada pessoa.
- Contemporary Carbohydrate Nutrition in Sport
- Copa 2022: como é a dieta de um jogador de futebol?
- O que os jogadores comem antes de entrar em campo?
- Position of the Academy of Nutrition and Dietetics, Dietitians of Canada, and the American College of Sports Medicine: Nutrition and Athletic Performance
- Protein ingestion and exercise adaptations