Quem é a família por trás da premiada vinícola Guatambu

A família por trás da Guatambu, entre raízes e inovação

Além da premiada vinícola, que tem o primeiro vinho carbono negativo do país, os Pötter reúnem experiência em diferentes cultivos e até na pecuária.

Por Paula Caires em 3 de novembro, 2026

Atualizado: 03/11/2026 - 08:34

Família Pötter reunida em ambiente externo com plantas, brindando com taças de vinho durante um momento social
Mariana, à esquerda, e Gabriela, à direita, com o pai e a mãe da família, Valter e Nara. (Foto: Flickr)

Antes do vinho, vieram o arroz, o gado e uma relação com o campo que já atravessa quatro gerações. Na família Pötter, preservar as raízes não significa repetir os caminhos de quem veio antes, mas abrir novos sem perder de vista aquilo que os une. É desse encontro entre legado e renovação que o negócio familiar vem se transformando.

A história no Pampa Gaúcho começa em 1948, quando o pai de Valter Pötter, Walter Germano Pötter,  chegou a Dom Pedrito para plantar arroz e, mais tarde, incorporou a pecuária. Valter entrou no negócio depois de se formar, em 1971, e aprofundou a diversificação, com novas culturas, pastagens cultivadas e uma pecuária mais intensiva.

Foi esse espírito de experimentação e empreendedorismo que abriu espaço para que as filhas também deixassem sua marca. Formada em Agronomia, Gabriela propôs plantar uvas, algo bastante diferente do que a família fazia. Começaram com apenas meio hectare. A área cresceu, vieram os primeiros vinhos e as premiações, que impulsionaram o investimento em uma estrutura própria. “Tudo passo a passo”, resume Valter.

A capacidade de mudar também aparece na relação com a terra. “Se cria no campo, nasce no campo, fica com amor, fica com raiz”, diz Valter. Com o tempo, esse vínculo também trouxe a percepção de que era preciso rever práticas. Essa inquietação levou a família a estar entre as primeiras da região a instalar painéis solares, cerca de duas décadas atrás. Hoje, a energia gerada atende à pecuária, à indústria e às casas, com excedente enviado à rede. Em 2025, a Guatambu tornou-se a primeira vinícola do Brasil com balanço de carbono negativo: as remoções de carbono superam as emissões de gases de efeito estufa de sua operação.

Um grande conjunto de painéis solares na propriedade da família Pötter, sob um céu azul brilhante, com um prédio de vários andares ao fundo.
Foto: Alexandre Teixeira (Guatambu Vinhos / Flickr)

Há ainda um princípio que Valter faz questão de transmitir: dedicação, conhecimento e trabalho feito com inteligência formam a base para alcançar objetivos profissionais. É uma convicção que atravessa sua trajetória e ajuda a explicar uma família que valoriza a experiência de quem veio antes sem deixar de aprender, testar e mudar.

Mariana considera a abertura do pai às ideias dos mais jovens uma das razões pelas quais ela e as irmãs encontraram motivação para voltar depois de estudar e, no caso dela, até trabalhar fora da empresa familiar. Formada em Psicologia, encontrou na gestão de pessoas e no enoturismo uma maneira de trazer seu próprio conhecimento para o negócio.

Mas os vínculos e os valores familiares também pesaram nessa escolha. Mariana morou na estância até os nove anos e guarda as lembranças de uma infância que define como “livre”, entre brincadeiras no mato e piqueniques inventados. “Eu me sinto muito em casa aqui”, conta. Hoje, ela e as irmãs procuram proporcionar aos filhos parte dessas mesmas experiências, inclusive mantendo o hábito de reunir a família aos domingos para almoçar na estância. “Esses valores são todos muito fortes e passados de geração em geração.”

Na família Pötter, aliás, a fronteira entre esses valores e a maneira de conduzir os negócios é tênue. Nos negócios, “cada um tem suas características e a gente se complementa”, diz Mariana. Para Valter, essa construção passa por “união”, “convivência” e “respeito”.

Foi assim que Valter recebeu a resposta tão ambiciosa quanto infantil da neta de apenas 4 anos de idade quando o assunto entre os primos era carreira: o futuro é a Lua! “Então, vamos investir na lua”, disse o avô, celebrando a resposta. 

Por enquanto, ninguém precisa decidir que lugar ocupará na história da família. Primeiro vêm a convivência, as memórias e o sentimento de pertencer. Depois, cada um poderá encontrar o próprio caminho. Assim, as raízes seguem firmes, sem impedir que novos galhos encontrem para onde crescer. E, pelo visto, nem Lua será o limite.

Dúvidas mais comuns

A história da família Pötter no Pampa Gaúcho começou em 1948, quando Walter Germano Pötter chegou a Dom Pedrito para plantar arroz e posteriormente incorporou a pecuária. Seu filho Valter entrou no negócio após se formar em 1971 e aprofundou a diversificação com novas culturas, pastagens cultivadas e uma pecuária mais intensiva, estabelecendo as bases para o crescimento que se seguiria.

A principal inovação foi a proposta de Gabriela, formada em Agronomia, de plantar uvas na propriedade, algo completamente diferente do que a família fazia até então. Começando com apenas meio hectare, a área cresceu, os primeiros vinhos foram produzidos e as premiações impulsionaram o investimento em uma estrutura própria, dando origem à Guatambu Vinhos.

A família Pötter preserva suas raízes sem repetir os caminhos do passado, abrindo novos caminhos enquanto mantém os valores que os unem. Esse equilíbrio aparece em decisões como a instalação de painéis solares há duas décadas e na abertura de Valter às ideias dos mais jovens, permitindo que cada geração contribua com seu próprio conhecimento e perspectiva.

Em 2025, a Guatambu tornou-se a primeira vinícola do Brasil com balanço de carbono negativo, significando que as remoções de carbono superam as emissões de gases de efeito estufa de sua operação. Essa conquista reflete o compromisso da família com práticas sustentáveis, incluindo a geração de energia solar que atende à pecuária, indústria e casas, com excedente enviado à rede.

Na família Pötter, a fronteira entre valores familiares e a condução dos negócios é tênue. Valter transmite princípios de dedicação, conhecimento e trabalho inteligente como base para alcançar objetivos profissionais. A gestão é fundamentada em 'união', 'convivência' e 'respeito', com cada membro complementando o outro com suas características únicas, como Mariana que trouxe sua formação em Psicologia para a gestão de pessoas e enoturismo.

As filhas retornaram ao negócio familiar motivadas pela abertura do pai às ideias dos mais jovens e pelos fortes vínculos e valores familiares. Mariana, por exemplo, após estudar Psicologia e trabalhar fora da empresa, encontrou na gestão de pessoas e no enoturismo uma maneira de trazer seu próprio conhecimento para o negócio, além de manter a conexão emocional com a estância onde cresceu.

A família Pötter transmite seus valores através de práticas cotidianas como reuniões familiares aos domingos para almoçar na estância, proporcionando aos filhos experiências similares às que tiveram na infância. Esses valores são passados de geração em geração de forma orgânica, criando um sentimento de pertencimento que permite que cada membro encontre seu próprio caminho dentro ou fora do negócio familiar.

A filosofia de crescimento da família Pötter é resumida por Valter como 'tudo passo a passo', refletindo uma abordagem gradual e deliberada. A família não busca crescimento acelerado, mas sim desenvolvimento sustentável baseado em experimentação, aprendizado contínuo e respeito pela terra e pelas pessoas, permitindo que novos galhos encontrem espaço para crescer sem comprometer as raízes estabelecidas.