Sombra que engorda! Conforto térmico para o gado aumenta a conversão alimentar

Medida simples, que reduz a exposição dos bovinos a estresse térmico em até 85%, reduz necessidade de consumo de água, e permite que energia seja direcionada à ganho de peso.

Por Rafael Motta em 8 de abril, 2026

Atualizado: 17/08/2026 - 21:20

Imagem gerada digitalmente

Um artigo publicado na revista Animals, que apresenta um estudo conduzido pela Minerva Foods em parceria com o Welfare Footprint Institute, concluiu que oferecer sombra adequadamente, tanto em espaços confinados como abertos, reduz a exposição dos bovinos a estresse térmico severo em cerca de 85%.

Segundo os pesquisadores, o estresse térmico afeta o bem-estar animal e a produtividade em regiões tropicais. Isso acontece porque o ambiente impõe uma carga de calor muito maior do que a capacidade fisiológica dos animais de dissipá-lo. O estudo mostra que, em 65% das regiões analisadas, abrangendo 636 municípios no Brasil, Argentina, Colômbia, Paraguai e Uruguai, o gado enfrenta 280 a 2.800 horas anuais de desconforto térmico moderado a intenso, o que provoca redução da ingestão de alimentos, problemas digestivos, imunossupressão e maior risco de doenças infecciosas, bem como maior mortalidade.

As vantagens não se resumem ao conforto térmico: elas se refletem também na forma de benefícios econômicos. O artigo referencia um estudo que  focou na fase de terminação (110 – 120 dias), na qual o ganho de peso é mais acentuado: bovinos Nelore (Bos indicus) com acesso a estruturas de sombra personalizadas ganharam até 8 kg de carcaça quente (peso do animal logo após abate e limpeza) a mais em comparação ao grupo sem controle de sombra, durante o mesmo período. 

De acordo com o estudo, ainda que os animais registrem um ganho de peso mais conservador de, por exemplo, 5 kg, é possível gerar entre US$ 15 e US$ 19 a mais de receita nos mesmos períodos de terminação (três vezes ao ano). O lucro líquido (subtraindo o custo médio de sombra, que é de US$ 2,3 por animal) gira em torno de US$ 12 a US$ 16 por animal, ou seja, são cerca de US$ 12 mil a US$ 15,7 mil, por mil animais terminados. 

Leia mais: Cinco domínios: a ciência do bem-estar animal na prática

Por que o estresse térmico afeta tanto as espécies adaptadas?

Mesmo espécies “adaptadas”, como a Nelore, não conseguem lidar com o calor direto do sol, que faz a sensação térmica sobre o animal passar dos 40 °C, além da umidade elevada que impede a evaporação eficiente, e de semanas (ou mesmo meses) de exposição ao sol sem alívio. Caracterizada por pelagem clara, maior capacidade de sudorese e menor produção metabólica de calor, essa foi a principal espécie analisada pelos pesquisadores.

A sombra, portanto, se configura-se como uma ferramenta estratégica na pecuária, com impacto direto sobre o ganho de peso e  eficiência reprodutiva. Sua aplicação permite o controle de variáveis ambientais que afetam diretamente o metabolismo dos animais. Ao reduzir a carga térmica, ela permite que o gado diminua seu gasto energético direcionado à termorregulação, ou seja, a manter sua temperatura corporal estável. Dessa forma, a energia fica “livre” para executar funções produtivas — como ganho de peso e produção de leite. “Bovinos com acesso à sombra apresentaram temperatura da superfície corporal 5 °C menor, taxa respiratória de 10 respirações por minuto inferior (termo técnico que se refere à frequência respiratória) e ingestão diária de água 3,4 L menor em comparação aos animais sem sombra, além de uma melhoria de 4,5% na conversão alimentar”, afirma o estudo. 

Leia também: Bem-estar animal também tem impacto sobre a qualidade da carne

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Dúvidas mais comuns

O estresse térmico em bovinos ocorre quando a taxa de ganho de calor do animal excede sua capacidade fisiológica de dissipação, fazendo-o sair de sua zona de conforto. Isso resulta em redução da ingestão de alimentos, problemas digestivos, imunossupressão, maior risco de doenças infecciosas e aumento da mortalidade. Segundo estudo da Minerva Foods, em 65% das regiões analisadas na América do Sul, o gado enfrenta 280 a 2.800 horas anuais de desconforto térmico moderado a intenso, impactando significativamente a produtividade.

Os sinais de estresse térmico em bovinos incluem ofegação excessiva, salivação intensa, aumento na ingestão de água, redução no consumo de matéria seca e busca constante por sombra. Além disso, animais sob estresse térmico apresentam temperatura da superfície corporal elevada, taxa respiratória aumentada e comportamento alterado. Esses sintomas indicam que o animal está gastando energia excessiva com termorregulação em vez de direcioná-la para ganho de peso e produção.

A sombra reduz a carga térmica sobre os animais, permitindo que diminuam seu gasto energético com termorregulação. Bovinos com acesso à sombra apresentam temperatura da superfície corporal 5°C menor, taxa respiratória 10 respirações por minuto inferior e ingestão diária de água 3,4 litros menor. Essa energia economizada é direcionada para funções produtivas, resultando em melhoria de 4,5% na conversão alimentar e ganho de peso adicional.

O impacto econômico é significativo: bovinos Nelore com acesso a estruturas de sombra personalizadas ganham até 8 kg de carcaça quente a mais durante a fase de terminação (110-120 dias) em comparação ao grupo sem controle de sombra. Mesmo com ganho mais conservador de 5 kg, é possível gerar entre US$ 15 e US$ 19 a mais de receita por animal. Subtraindo o custo médio de sombra (US$ 2,3 por animal), o lucro líquido fica em torno de US$ 12 a US$ 16 por animal, ou aproximadamente US$ 12 mil a US$ 15,7 mil por mil animais terminados.

Mesmo raças adaptadas como a Nelore, caracterizadas por pelagem clara, maior capacidade de sudorese e menor produção metabólica de calor, não conseguem lidar com o calor direto do sol quando a sensação térmica ultrapassa 40°C, especialmente associado à umidade elevada que impede a evaporação eficiente. Semanas ou meses de exposição ao sol sem alívio comprometem a capacidade termorreguladora desses animais, demonstrando que a adaptação genética tem limites quando as condições ambientais são extremas.

A sombra se configura como ferramenta estratégica que permite o controle de variáveis ambientais que afetam diretamente o metabolismo dos animais. Ao reduzir a carga térmica, a sombra não apenas melhora o ganho de peso, mas também impacta positivamente a eficiência reprodutiva. Isso ocorre porque o animal economiza energia que seria gasta em termorregulação, podendo direcioná-la para funções reprodutivas essenciais.

Segundo estudo publicado na revista Animals, conduzido pela Minerva Foods em parceria com o Welfare Footprint Institute, oferecer sombra adequadamente, tanto em espaços confinados como abertos, reduz a exposição dos bovinos a estresse térmico severo em cerca de 85%. Essa redução significativa demonstra a efetividade da sombra como medida simples e de baixo custo para melhorar o bem-estar animal e a produtividade em regiões tropicais.

O bem-estar animal, incluindo o controle do estresse térmico através da sombra, tem impacto direto sobre a qualidade da carne. Animais menos estressados apresentam melhor conversão alimentar, ganho de peso mais eficiente e metabolismo mais equilibrado, resultando em carcaças de melhor qualidade. Além disso, a redução do estresse diminui processos inflamatórios e mantém o sistema imunológico mais forte, contribuindo para a saúde geral do animal e, consequentemente, para a qualidade final do produto.