A confirmação recente de surtos da bicheira-do-novo-mundo (Cochliomyia hominivorax) em território norte-americano e ao longo da fronteira mexicana fez com que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) acendesse o alerta vermelho. Dados oficiais apontam que o rebanho atual atingiu o menor índice desde 1952 – fazendo com que os Estados Unidos tenham que importar carne para manter o mercado interno devidamente abastecido. O número de cabeças de gado caiu 13% desde 2019, chegando a aproximadamente 27,9 milhões.
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O avanço da chamada “praga do México”, entretanto, funciona como um catalisador estrutural: o fenômeno deve impulsionar as exportações de carne bovina do Brasil para patamares históricos ao longo do segundo semestre de 2026.
Entenda o retorno da “Praga Fantasma”
A bicheira-do-novo-mundo não é uma ameaça desconhecida para os pecuaristas norte-americanos, mas sua reaparição representa um retrocesso sanitário de proporções alarmantes. Causada pelas larvas da mosca-varejeira, que se alimentam de tecidos vivos de animais de sangue quente, a infestação – também conhecida como miíase traumática – pode deteriorar órgãos vitais e levar os animais à morte em poucos dias se não for tratada de forma acelerada e agressiva.
Conforme detalhado pelo Brazil Journal, a movimentação de animais infestados é a forma mais comum de disseminação da praga, o que torna o controle de trânsito pecuário uma prioridade crítica. Os Estados Unidos haviam erradicado o parasita de seu território doméstico em 1966, mantendo desde então uma rigorosa barreira biológica na América Central, baseada na liberação de insetos estéreis, para evitar a reintrodução da praga a partir do sul.
De acordo com a Exame Agro, o surto atual deve dificultar ainda mais os planos do governo atual de reduzir os preços da carne bovina no país. Em abril, o preço da carne moída, matéria-prima principal dos hambúrgueres, atingiu o preço-recorde de US$ 6,90 por libra-peso. Esse é o índice mais alarmante já registrado da série histórica do Bureau of Labor Statistics (BLS), órgão que metrifica estatísticas trabalhistas nos EUA.
Como o Brasil pode se beneficiar disso?

Neste hiato de ofertas, o agronegócio brasileiro se posiciona como o ator central e estratégico do mercado global. Detentor do maior rebanho comercial do mundo e registrando seguidos recordes de produtividade, o Brasil vive o momento oposto ao norte-americano, caracterizado por uma elevada disponibilidade de animais para o abate e por um status sanitário robusto, livre da bicheira-do-novo-mundo em suas regiões exportadoras regulamentadas.
Conforme analisa Fernando Iglesias em entrevista ao Exame Agro, especialista em pecuária da consultoria Safras & Mercado, a escassez física de carne nos Estados Unidos atingiu um nível de severidade tamanho que a tendência de alta nas compras de proteína brasileira se manterá inabalável ao longo do segundo semestre de 2026, independentemente do sucesso ou velocidade das medidas de contenção biológica contra a mosca-varejeira no Texas. “O surto agrava uma situação que já era delicada. A oferta de animais está muito restrita e a recuperação do rebanho será lenta. Por isso, independentemente da evolução da doença, a tendência é que o Brasil siga ampliando as vendas de carne bovina para o mercado americano ao longo deste ano.”
A necessidade da indústria de processamento e das redes de varejo dos Estados Unidos de cumprir seus contratos de fornecimento deve levar o país a absorver os custos das tarifas adicionais. Com isso, o valor pago ao exportador brasileiro aumenta, ampliando suas margens. Segundo João Figueiredo, líder de pecuária da Datagro, os Estados Unidos devem importar cerca de 200 mil toneladas a mais, elevando o volume total para aproximadamente 500 mil toneladas.
- O papel do Brasil na segurança alimentar global – My Minerva
- Por que o avanço da praga do México nos EUA deve aumentar a exportação de carne no Brasil – Exame
- Parasita mortal é detectado em gado nos EUA e ameaça produção de alimentos – CNN Brasil
- Um parasita ameaça o rebanho bovino (já reduzido) dos EUA – Brazil Journal
Dúvidas mais comuns
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A bicheira-do-novo-mundo (Cochliomyia hominivorax) é uma infestação causada pelas larvas da mosca-varejeira, que se alimentam de tecidos vivos de animais de sangue quente. Também conhecida como miíase traumática, essa praga pode deteriorar órgãos vitais e levar os animais à morte em poucos dias se não for tratada rapidamente. Os Estados Unidos haviam erradicado o parasita em 1966, mas sua reaparição recente representa um retrocesso sanitário significativo que ameaça o rebanho norte-americano.
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O rebanho americano caiu 13% desde 2019, chegando a aproximadamente 27,9 milhões de cabeças de gado. Essa redução drástica foi causada por fatores como a crise sanitária relacionada à bicheira-do-novo-mundo e a baixa oferta de carne no mercado. Como resultado, os Estados Unidos precisam importar carne para manter o mercado interno adequadamente abastecido.
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O Brasil se posiciona como ator central do mercado global de carne bovina, sendo detentor do maior rebanho comercial do mundo com status sanitário robusto e livre da bicheira-do-novo-mundo em suas regiões exportadoras. Com a escassez de carne nos Estados Unidos, o Brasil deve ampliar significativamente suas exportações, com previsão de aumento de aproximadamente 200 mil toneladas, elevando o volume total para cerca de 500 mil toneladas.
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A escassez de carne bovina nos Estados Unidos atingiu níveis críticos, com o preço da carne moída atingindo o recorde de US$ 6,90 por libra-peso em abril, o maior índice já registrado pela série histórica do Bureau of Labor Statistics (BLS). Essa situação força a indústria de processamento e redes de varejo a absorver custos adicionais de importação, mantendo os preços elevados.
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Segundo especialistas, a tendência de alta nas compras de proteína brasileira deve se manter inabalável ao longo do segundo semestre de 2026, independentemente do sucesso ou velocidade das medidas de contenção biológica contra a mosca-varejeira. A recuperação do rebanho americano será lenta, mantendo a necessidade de importações brasileiras por um período prolongado.
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A movimentação de animais infestados é a forma mais comum de disseminação da praga, o que torna o controle de trânsito pecuário uma prioridade crítica. Os Estados Unidos mantinham uma rigorosa barreira biológica na América Central desde 1966, baseada na liberação de insetos estéreis, para evitar a reintrodução da praga a partir do sul.
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O Brasil é o maior exportador de carne bovina do mundo, com um rebanho comercial superior ao de qualquer outro país e registrando sucessivos recordes de produtividade. O país possui elevada disponibilidade de animais para abate e um status sanitário robusto, posicionando-o como fornecedor estratégico para atender à demanda global, especialmente durante crises de oferta em outros países.
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A necessidade da indústria de processamento e das redes de varejo dos Estados Unidos de cumprir seus contratos de fornecimento leva o país a absorver os custos das tarifas adicionais de importação. Com isso, o valor pago ao exportador brasileiro aumenta, ampliando suas margens de lucro e tornando as exportações ainda mais atrativas para o agronegócio brasileiro.