O projeto-piloto de rastreabilidade de carne bovina criado por Brasil e China

Europa acelera descarbonização da pecuária e cooperação sino-brasileira propõe cooperação mútua para adequar suas produções aos mercados premium.

Por Rafael Motta em 18 de dezembro, 2025

Atualizado: 06/07/2026 - 11:53

Primeiro plano de um boi com selo de rastreabilidade de carne bovina, destacando a importância da rastreabilidade para garantir qualidade e segurança.
Foto: Minerva Foods

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Em 2024, durante encontro entre autoridades regulatórias na China, foi anunciado um projeto-piloto de rastreabilidade de carne bovina desenvolvido em parceria com o Brasil. O objetivo central da iniciativa é reduzir as emissões da pecuária, contribuindo para um modelo de produção mais sustentável.

Houve participação do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e representantes chineses em fóruns sobre finanças verdes e agricultura não-predatória. Paralelamente, avançam negociações para um protocolo conjunto de certificação de carne e soja, com foco no alinhamento de metodologias de mensuração de emissões e no reconhecimento mútuo de selos de sustentabilidade.

Segundo a Agência Brasil China, a pecuária no Brasil corresponde a 10% das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) e a 24% do desmatamento tropical anual. Áreas desmatadas na Amazônia e no Cerrado adjacente costumam ser ocupadas inicialmente por atividades ilegais associadas à grilagem e abertura de pastagens.

Escopo técnico do projeto

Imagem de dois profissionais de negócios apertando as mãos em sinal de acordo ou parceria
Foto: PeopleImages / Shutterstock

Será criada uma plataforma transfronteiriça que permitirá rastrear a origem, histórico sanitário e indicadores ambientais da carne. Isso permitirá que cortes de baixo carbono recebam selos reconhecidos por compradores chineses, segundo o jornal O Tempo.

Padrões de dados, formatos de intercâmbio (APIs/QR Codes) e critérios metodológicos para cálculo da pegada de carbono serão desenvolvidos e padronizados, atendendo às necessidades de ambos os países e os tornando práticas internacionalmente reconhecidas. O número de fazendas, os frigoríficos integrados, a cobertura da cadeia (percentual de volume rastreado), a redução de GEE por tonelada certificada e o tempo para reconhecimento mútuo de selos estão entre os principais pontos de atenção.

Questões como definição técnica dos requisitos, testes regionais, integração transfronteiriça, auditoria e escalonamento dependerão de acordos formais entre as autoridades, além da adesão do setor privado, com apoio técnico da Embrapa e supervisão do MAPA.

Rastreabilidade de carne bovina e convergência global

Mercados internacionais, especialmente na União Europeia, discutem regulamentos para a importação de produtos livres de desmatamento. O projeto-piloto Brasil-China busca antecipar esse movimento, garantindo interoperabilidade nos mecanismos de rastreamento.

O Brasil já possui programas como o Plano ABC+ e o SISBOV (Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos), que seguem metodologias reconhecidas pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) e pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas).

Isso coloca a carne brasileira em linha com práticas adotadas por exportadores de referência, como Austrália (NLIS) e Nova Zelândia (NAIT). Assim como o SISBOV, todos esses sistemas atendem às exigências de mercados premium.