Grain-fed vs. Grass-fed: O que muda na prática?

Entenda a diferença entre os dois sistemas alimentares de bovinos e como cada um deles muda a sua experiência gastronômica.

Por Rafael Motta em 10 de julho, 2026

Atualizado: 10/07/2026 - 13:09

Cenário rural com varios bois pastando em um campo verde ao ar livre, destacando a comparação entre grain-fed e grass-fed na produção de carne bovina.
Foto: Minerva Foods

Assim como o tipo de alimentação desempenha um papel fundamental no organismo humano, o que os bovinos comem também influencia aspectos de seu corpo. Por isso, o modelo de criação adotado, e seu sistema alimentar característico, tem impactos diferentes sobre o produto que chega ao consumidor final. É nesse contexto que os termos grass-fed (alimentado a pasto), grain-fed (alimentado com grãos na maior parte de sua vida) e grain-finished (alimentado a pasto e terminado a grãos)  deixaram de ser jargões técnicos e passaram a fazer parte dos rótulos, comunicando valor agregado aos produtos nas gôndolas e até nos menus dos restaurantes mais sofisticados do mundo. Além do marketing envolvido, o que muda na prática?

Entenda cada um dos sistemas

O gado Grass-fed é aquele que, na totalidade de sua vida, alimenta-se de forragem e pastagens naturais. É um sistema que respeita o ritmo biológico do animal, que é criado livremente no pasto. 

Já os animais do tipo Grain-fed e Grain-finished recebem uma dieta balanceada com grãos — geralmente milho ou sorgo. A diferença entre eles é que os Grain-finished recebem esse tipo de tratamento apenas na fase final do ciclo. Essa dieta, oferecida nas fases finais do desenvolvimento, é o “segredo” por trás do ganho de peso e  da deposição de gordura intramuscular, o famoso marmoreio.

A alimentação por grãos também altera a composição da gordura presente na carne, elevando os níveis de ácidos graxos monoinsaturados, comumente associados ao menor risco de doenças cardiovasculares, melhora da sensibilidade à insulina, redução do risco de certos tipos de câncer e efeitos positivos na cognição, segundo estudo; e ômega-6, gordura saudável que possui ação anti-inflamatória e diminui os níveis de colesterol LDL – conhecido como “ruim” – ajudando a evitar doenças cardiovasculares, como aponta o portal Tua Saúde. Durante o cozimento, essa gordura se funde à  carne. Dessa forma, aumenta a percepção de suculência e contribui para a sensação de maciez.

Além disso, o estudo publicado na revista científica Journal of Animal Science confirma que o sistema de grãos resulta em tempos de terminação mais rápidos e maiores taxas de conversão alimentar devido à alta energia dos alimentos concentrados.

Por outro lado, a carne Grass-fed contém níveis elevados de ácidos graxos poli-insaturados que, como mostra esse estudo, os ácidos graxos ômega-3, especialmente ácido alfa-linolênico (ALA) e ácido eicosapentaenoico (EPA), são reconhecidos por contribuir para a saúde cardiovascular, auxiliando na redução dos triglicerídeos e na modulação de processos inflamatórios, além de exercerem efeitos cardioprotetores. Já minerais como ferro, cálcio, cobre e selênio são essenciais para funções como o transporte de oxigênio, a formação e manutenção dos ossos, o funcionamento do sistema imunológico e o metabolismo energético. 

Maciez e sabor: entenda as diferenças na carne

Segundo a Embrapa, maciez e sabor são os dois atributos mais importantes para os consumidores. O sistema Grain-fed se diferencia nesse quesito devido ao marmoreio. A gordura entremeada nas fibras musculares atua como um isolante térmico e lubrificante durante o preparo. Quando essa gordura derrete em altas temperaturas, ela irriga a fibra, conferindo suculência e uma textura “amanteigada” característica.

Por outro lado, os cortes de animais Grass-fed são mais indicados aos que preferem carnes mais magras, ou seja, com menor teor de gordura. O sabor de um corte desse tipo pode ser mais robusto, complexo e “natural”.

Visualmente, a carne proveniente de animais criados a pasto também pode apresentar gordura com tonalidade mais amarelada, resultado do maior acúmulo de carotenoides, como o betacaroteno, presentes nas forragens consumidas pelos bovinos. Essa característica é considerada um marcador natural da alimentação à base de pastagem.

Imagem gerada digitalmente

Sustentabilidade e alimentação: qual a relação?

Além do impacto sobre as propriedades da carne, o tipo de alimentação do gado também influencia aspectos ambientais. As fazendas analisadas pelo estudo que utilizavam o pastejo apresentaram solos com teor de matéria orgânica 40% maior. Na prática, isso significa solos mais férteis, com maior capacidade de reter água, armazenar carbono e disponibilizar nutrientes para as plantas, tornando as pastagens mais resilientes a períodos de seca e reduzindo a necessidade de insumos externos.

O levantamento também detectou maior riqueza de micronutrientes, como ferro, zinco e silício, em comparação às terras usadas para monocultura de grãos de ração.

Também é mencionado que o manejo de pastagens bem conduzido e com alta diversidade botânica contribui diretamente para o sequestro de carbono no solo. Isso pode facilitar o cumprimento de metas governamentais de sustentabilidade, importantes para a manutenção do setor e dos ecossistemas vizinhos às fazendas.

Sua experiência é a protagonista

Embora a alimentação a grãos e a pasto tenham impactos diferentes sobre o alimento que chega ao prato e até sobre o meio ambiente, não há um sistema melhor que o outro. A Minerva Foods possui ambos os produtos, por meio da marca Cabaña Las Lilas, que possui rigor e padrões superiores, com cortes originados de animais de raças britânicas, entregando sabor, maciez e marmoreio únicos.

A linha Grain Fed entrega cortes de sabor suave e textura extremamente macia – resultado de uma dieta rica em grãos, desenvolvida para oferecer consistência e excelência em cada detalhe. Já a linha Grass Fed é derivada de gado solto em pastos naturais, o que gera uma carne de textura marcante, sabor intenso e gordura levemente amarelada. Conheça a marca aqui