Mais que exportação: Brasil acelera abertura de mercados internacionais e exporta expertise no combate à fome

Com a abertura de mercado e a doação de sementes ao país caribenho, o Brasil reforça sua força comercial e compartilha sua expertise histórica em segurança alimentar.

Por Redação em 30 de março, 2026

Atualizado: 27/03/2026 - 10:45

Bandeira do Caribe assoprando ao vento em um céu azul claro, representando o mercado de carne na região caribenha.
Foto: em_concepts / Shutterstock

Em uma forte iniciativa de expansão de mercados e diversificação de parcerias, o Brasil consolidou a abertura de mercado para a exportação de carne bovina, produtos cárneos e miúdos a São Vicente e Granadinas, um país insular localizado no Caribe e integrante da Comunidade do Caribe (Caricom). 

O acordo comercial com a nação insular de 110 mil habitantes faz parte de uma peça no quebra-cabeça econômico que já inclui aves e suínos. Esse avanço regional se apoia em uma base comercial prévia já consolidada: antes mesmo da formalização desta nova parceria, o Brasil exportou, apenas ao longo de 2024, mais de US$ 288 milhões em produtos agropecuários para os países da Comunidade do Caribe. Desse total, quase US$ 15,9 milhões foram destinados especificamente a nações como São Vicente e Granadinas e Granda. 

De acordo com dados divulgados pela Secretaria de Comunicação Social (Secom), essa negociação elevou o agronegócio brasileiro à expressiva marca de 403 novos mercados internacionais abertos desde o início de 2023. Em fevereiro deste ano, o Brasil já chegou à marca de 539 novos mercados, reflexo de um cenário de expansão internacional.

Essa presença global ganha força por meio de conquistas simultâneas em hemisférios distintos. Conforme detalhado em nota conjunta do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Brasil obteve habilitações recentes de grande impacto comercial, como a autorização para exportar carne moída ao México. É justamente essa consolidação contínua em destinos globais estratégicos que amplia a credibilidade do Brasil e fortalece sua posição para negociar e aprofundar parcerias sólidas com as nações caribenhas.

A expansão tem como objetivo reduzir a dependência de gigantes como a China, buscando alternativas com maior valor agregado e menor custo logístico. Esse esforço contínuo de diversificação projeta o agronegócio brasileiro para muito além da região caribenha, somando volumes financeiros expressivos em outros destinos. Exemplos desse fôlego global são os mercados recentemente ampliados do México — país que já importou mais de US$ 3,1 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025. Esse panorama global de expansão é reforçado não apenas pelo que já foi exportado, mas pelo potencial gerado por outros acordos recentes, como a estimativa de vendas de US$ 183 milhões para a carne bovina no Vietnã, conforme aponta a Secom.

Parceria para além do comércio

Reunião de empresários e autoridades do mercado de carne no Caribe, promovendo parcerias internacionais e desenvolvimento do setor na região.
Agro Gov (Foto: Imprensa Agro)

Conforme detalhado em comunicado oficial do Mapa, a aproximação comercial com o Caribe foi chancelada pela assinatura de um Memorando de Entendimento de Cooperação Técnica entre os governos. A pasta classificou o acordo como um marco fundamental para a expansão de projetos de desenvolvimento agrícola e para o incremento direto do comércio bilateral.

A estratégia, no entanto, ultrapassa a pauta exportadora tradicional e posiciona o Brasil como parceiro estratégico no suprimento de alimentos para a nação caribenha. Segundo relatou o Mapa, o ministro da Agricultura vicentino, Saboto Caesar, destacou a inspiração nas políticas públicas brasileiras de combate à desnutrição, citando nominalmente o histórico programa Fome Zero.

Atualmente, essa expertise nacional de combate à miséria atua por meio do Plano Brasil Sem Fome. De acordo com as informações publicadas pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, o plano atual é a resposta do Governo Federal para a área, consolidando 80 ações propostas por 24 ministérios. O órgão federal estabelece que a grande meta do programa interministerial é tirar o país do Mapa da Fome até o ano de 2030.

A sinergia entre a venda de proteínas animais e a preocupação integrada com a segurança alimentar culminou em uma ação prática documentada pelo Ministério da Agricultura: o governo vicentino recebeu uma doação brasileira de quase 110 quilos de sementes de hortaliças e vegetais. Segundo os cálculos da pasta agropecuária, esse volume tem potencial para produzir cerca de 5 mil toneladas de alimentos para o arquipélago, reforçando de forma prática os laços comerciais e humanitários na região.

Leia também: Japão entra no radar da carne bovina brasileira

Conexão e segurança alimentar são o foco no Caribe

A delegação técnica brasileira discutiu protocolos sanitários rigorosos para garantir que a proteína bovina chegue às mesas vicentinas. O país possui uma economia enquadrada como “Pequeno Estado Insular em Desenvolvimento” (SIDS), o que resulta em uma dependência estrutural de importações de alimentos – especialmente proteínas animais.

Segundo informações do Banco de Desenvolvimento do Caribe (CDB), o sub setor pecuário de São Vicente e Granadinas representa apenas 1,2% do PIB (Produto Interno Bruto) do país. Por outro lado, dados da Confederação da Agricultura e Pecuária no Brasil (CNA)  apontam que o agronegócio movimentou algo em torno de 29,4% do PIB nacional em 2025.

A viabilidade desse comércio repousa sobre a eficiência das Rotas de Integração Sul-Americana. A chamada Rota da Ilha das Guianas (Rota 1) é o eixo que conecta o Arco Norte brasileiro ao Caribe, utilizando portos em Roraima e no Pará para reduzir custos e o tempo de transporte. Segundo o Ministério do Planejamento e Orçamento, a rota reduz substancialmente o tempo e o custo do transporte, permitindo que a carne brasileira chegue aos mercados caribenhos com maior frescor e competitividade.

Fontes de referência:


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