Indonésia amplia compras externas e habilita novas plantas brasileiras para carne bovina

Estudos apontam que o poder aquisitivo dos indonésios está crescendo; com isso, o consumo de proteína importada deverá crescer expressivamente nos próximos anos. O Brasil já está preparado para lidar com a demanda.

Por Rafael Motta em 9 de março, 2026

Atualizado: 03/03/2026 - 10:08

Carne bovina na Indonésia servida em prato tradicional, acompanhada de especiarias e ingredientes típicos da culinária local
Foto: Elvita salman / Shutterstock

O mercado indonésio entrou no radar das exportações brasileiras de carne bovina. Com uma população de cerca de 283 milhões de habitantes, o país asiático é o quarto mais populoso do mundo e vem ampliando a habilitação de frigoríficos estrangeiros como parte de uma estratégia de segurança alimentar e diversificação de fornecedores, como informou matéria da CNN. Em janeiro de 2026, 14 novas plantas brasileiras foram habilitadas a exportar carne bovina, elevando para 52 o número total, segundo dados da matéria. Entre elas, estão plantas da Minerva Foods localizadas no Rio Grande do Sul (em Bagé e Alegrete), no Mato Grosso (Pontes e Lacerda) e em São Paulo (Barretos), que passam a atender um mercado cuja demanda por proteína importada tende a crescer de forma estrutural nos próximos anos, em um cenário cuja autossuficiência em carne bovina é de cerca de 70%. Dessa forma, o governo da Indonésia visa suprir sua demanda interna, enquanto o Brasil vê o movimento como uma oportunidade de diversificação de mercado.

Demanda na Indonésia: potencial de crescimento

Embora pratos tradicionais como rendang (guisado bovino), bakso (almôndegas) e diferentes ensopados façam parte da cultura alimentar do país, o consumo médio anual de carne bovina é um dos mais baixos da Ásia. Cada indonésio consome, em média, 2,7 kg de carne bovina e bubalina (de búfalos) por ano, segundo este levantamento da agência governamental indonésia, responsável pela coleta e divulgação de estatísticas oficiais. Embora não haja números oficiais referente apenas ao consumo de carne bovina no documento, a média é similar à que informa apesquisa publicada pela GMI Research, que é de 2k/ano/por pessoa.

 Segundo essa mesma pesquisa, o mercado indonésio deve registrar crescimento médio anual de 5,3% no consumo de carne bovina até 2032. Isso significa ultrapassar o tamanho de mercado atual de US$ 17,5 bilhões para US$ 26,5 bilhões no período.

Uma projeção ainda mais otimista de um estudo publicado pela 6W Research aponta que o mercado de importação de proteína deverá alcançar crescimento médio de 12,85% em 2027 – mais que o dobro da média anual da análise anterior. O percentual se mostra ainda mais elevado que as projeções de grandes mercados globais, como China (9,92%) e Índia (5,52%).

De acordo com um levantamento da MLA (Meat & Livestock Australia), o número de domicílios indonésios com renda suficiente para consumir carne bovina importada com frequência deve crescer cerca de 6% ao ano, especialmente em Jacarta e outras grandes cidades. Esse avanço da classe média ajuda a explicar a expansão prevista no consumo local e reforça a necessidade de fornecedores capazes de atender a um mercado em rápida transformação. Ainda segundo a GMI, a fusão entre aumentos salariais, iniciativas de suporte do governo e programas de refeições gratuitas estão, com a ajuda da expansão do comércio eletrônico, ajudando a moldar esse cenário. 

Regularidade é decisiva

Para que as exportações brasileiras ocorram dentro do país, existem algumas exigências-chave, como segurança sanitária, rastreabilidade e padronização, tornando o consumo mais seguro. Nesse contexto, o foco indonésio combina bem com o perfil da produção brasileira, especialmente em cortes dianteiros, carne com osso e miúdos.

Aproveitar essa demanda exige do Brasil mais que preços competitivos. A capacidade logística, regularidade e conformidade sanitárias são pilares estratégicos, porém endereçados internamente, como mostra o balanço positivo de uma expedição japonesa no País. Em contrapartida, a tendência é de um movimento consistente, já que parte de uma estratégia de longo prazo de segurança alimentar para o país-arquipélago.

Fontes de referência:


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